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7 de maio de 2016

RECADO

Querido amigo, querida amiga...
Chegou a minha vez 
de fazer uma pausa no blog.
 Não sei por quanto tempo,
 já que me é difícil ficar longe da poesia.
Estarei viajando nas estrelas e de lá, 
estarei com você, 
pois, para  o pensamento,
 não existe espaço nem tempo.
Um abraço apertadinho...
Deixo-lhe um recado...


Brevemente
mandar-lhe-ei uma mensagem
sem ambiguidade ou fantasia
- sei que você a quer -
escrita numa pétala
pendurada numa estrela
ou sei lá
de um jeito qualquer...



Shirley Brunelli Crestana

23 de abril de 2016

PERPLEXIDADE


Há um desapontamento sem nome
escancarado nos meus olhos
e um grito sem amanhã
a violentar minha paz interior.
Nada faz sentido hoje
para este coração de aço
insistente
teimoso
sem-vergonha
que circula em marcha lenta
dentro de todo poema que faço!

2012
Shirley Brunelli Crestana



16 de abril de 2016

ENTRE ASPAS


Arrasto para o jardim
a velha cadeira de vime
de onde posso ver
 a cara feia do silêncio
e a meiguice das estrelas.
Sem você nesta noite de sábado
sinto que meu olhar não tem viço
e meu coração não tem alegria.
Sou um átomo pensante
insignificante partícula
de uma sociedade patológica
em busca de soluções e de verdades.
Um pensamento distraído
 busca a luz da lua
quando repentinamente
a solidão e a ansiedade
fogem para longe.
Meu corpo se agita
com a cantoria dos jovens
o chão treme
  com o alto volume do som
na chácara ao lado.
Sorrindo contagio-me
com a música popular e alegre
que diz assim:
"Não me interessa se ela é coroa
panela velha é que faz comida boa...
Não me interessa se ela é coroa
panela velha é que faz comida boa..."

Shirley Brunelli Crestana

9 de abril de 2016

UMA NOITE ASSIM


Gosto do cheiro peculiar da noite
estendido sobre a terra úmida.
Meu olhar de água mansa
perde-se nas regiões inóspitas
do infinito sideral
onde os astros cultivam
o encanto comovente das estrelas.
Minha cabeça inclina-se 
de perplexidade e pesar
quando um bêbado insensato
ao degradar seu corpo e seu espírito
sem nenhum controle de si mesmo
passa cambaleando e vai embora.
De minha boca calada e seca
nasce suave prece
enquanto o meu ser aguarda
a chegada terna e munificente da aurora...


Shirley Brunelli Crestana

26 de março de 2016

MOMENTOS DE PAZ


Uma ave desperta no colo da manhã
desliza nas pétalas do silêncio
e  pousa
no fio de minha contemplação.
Minha mente enche-se de ideias
e o novo dia
entope de palavras a minha boca.
Livro-me
das teias enganosas da vida humana
 tento colocar no semblante
 uma moldura de paz.
Depois
elevo os pensamentos
 alcanço a ventura
 de momentos tranquilos
e sem intenções 
sem trapaças
sem velas
faço pequena viagem
projetando a consciência
num campo de flores amarelas...



Shirley Brunelli Crestana

19 de março de 2016

ANSEIO


Sinto-me alinhavada
na tua pele de bronze
ao ver essa luz fulgurante
no altar dos teus olhos.
Tu e eu
unidos
tudo podemos
somos o Cosmo em miniatura
centelhas eternas
de uma Inteligência Infinita.
Esqueçamos as limitações do mundo físico
busquemos o despertar da sensibilidade
oh! alma gêmea
vem comigo
vamos juntos
beber na fonte da felicidade...


Shirley Brunelli Crestana

12 de março de 2016

BOBAGENS


Conto até dez
tento aprisionar as palavras tortas
antes que saiam de minha boca
e sujem de nostalgia
o papel amassado de espera.
Com essa mania
 de ser indulgente
 psiquicamente engulo
atitudes alheias indesejáveis
e difícil é digerir essas emoções.
Assim
inspiro fundo
visualizo pequenas borboletas
pousando nos meus pensamentos
e ao viajar no silêncio
ultrapasso as fronteiras da matéria.
Os minutos passam.
Olho o relógio.
Gosto de pensar
na teoria do tempo.


Shirley Brunelli Crestana

5 de março de 2016

ENQUANTO CHOVE


Tento em vão compreender
a intenção do vento ao alçar voo
sobre a folhagem escura
das árvores da rua....
O ronco intenso de um carro
contorna as curvas do silêncio
e se desvanece ao longo da avenida...
Na sonolência das horas
apanho um livro
vou para o quarto
porém
a força telúrica dos lençóis
enfraquece e confunde o meu olhar...
Venha logo meu amor
 faço um esforço titânico
para não dormir antes de você chegar...


Shirley Brunelli Crestana

27 de fevereiro de 2016

VONTADE DE SER


Sou poeira dos tempos
aprendiz de longos milênios
exilada de outra dimensão
comendo o pão de cada dia
amassado a duras penas
 e servido no bandejão da vida...
Às vezes
o efeito de minhas escolhas
eu gostaria de eliminar
 e ser apenas a impassível lua
para estar no foco do teu olhar...


Shirley Brunelli Crestana

20 de fevereiro de 2016

ALEGRIA, ALEGRIA


Saio de casa saracoteando
de vestido enfeitado
com detalhes mil.
Quero sair do meu pequeno mundo 
fugir à força bruta do bom-senso
desvendar o avesso do vento
 sorver o néctar de doce melodia
e na taça da tarde ver os amigos...
Alegre e sorridente
continuo minha andança
saçaricando em direção ao arrebol
 com o meu vestido novo
    cheio de babados de sol...


Shirley Brunelli Crestana

13 de fevereiro de 2016

NO MEIO DO NADA


Dia pacato
com gosto de vento insano
de chuva anunciada
de gente esperando um acontecimento
para ter o que falar...
As horas tocam flauta
para espantar as moscas vadias
desta tarde cinzenta...
Eu aqui sozinha
sem horizonte
querendo muito
ser aroma de alfazema
e embarcar numa onda vibratória
para chegar rapidamente até você...


Shirley Brunelli Crestana

6 de fevereiro de 2016

ASPIRAÇÃO


Cubro-me
com o silêncio das paredes
e enquanto a noite
 caminha lenta
vejo a lua
 quase nua
acariciar
com sua meiguice
  sentimentos estranhos
 albergados
nas folhas adormecidas.
Sem interesse
sinto as coisas inanimadas
provisórias
sem valor algum...
Influenciada pelo luar
 antes que as horas
 tragam a madrugada
olho outra vez  o céu
escrevo mais um verso
tentando compreender
humildemente
 as leis infinitas
 e imutáveis do universo...


Shirley Brunelli Crestana

30 de janeiro de 2016

APATIA


Não me importo
se a chuva molha a roupa no varal
se a erva daninha invade o jardim
se o outono enche
  de folhas amarelas o meu coração...
Não me importo
se todas as abelhas usam
a mesma escala matemática
para construir os seus favos
ou como o besouro voa
sendo ele  totalmente antiaéreo...
Não quero saber
se meus poemas tem rima
 se as estrelas fazem amor ao ar livre
se tenho calos nas mãos
ou se a garganta arde de solidão...
Que importância tem isso
no desenrolar dos meus dias?...
Não quero saber
estou cansada
fujo de tudo
aperto um botão
desligo a chave
 e pronto!


Shirley Brunelli Crestana

16 de janeiro de 2016

AMANHECE


É domingo
amanhece
volto do mundo subjetivo
para o cenário da vida física
e adoro ficar assim
nessa espreguiçadeira
com as pernas esticadas
quieta como uma pedra
ouvindo apenas
as manhas da manhã.
Entre um bocejo e outro
percebo um passarinho carente
a me olhar de esguelha
implorando
 para se alojar dentro de mim...


Shirley Brunelli Crestana

3 de janeiro de 2016

APELO


Poetas mortos
venham intuir-me
desejo escrever um poema
magneticamente leve
feito estrela nômade
que desvende em detalhes inéditos
o significado do amor.
Um poema insólito
que revele o idioma das flores e do vento
e emane a fragrância do mel e da ternura
só um poema
apenas um...
Que não seja como este
sem sal e sem pimenta
sem mérito algum...


Shirley Brunelli Crestana

12 de dezembro de 2015

INICIAÇÃO


Um influxo
 de harmoniosas vibrações
toma conta do meu Ser
e convido-te
 irmão de jornada
a me seguir
no ritual de iniciação
 que se faz necessário
neste mundo hostil e contraditório.
Incenso velas aromas cores
tudo preparado
para dissipar as trevas
e acionar a Luz Maior.
Aproxima-te de mim
neófito que sou
aguardo-te no umbral
de novas mudanças
de nova caminhada.
Que o Amor se infunda em nós
envolva nossas auras
e nos una 
nesse tempo de Paz!


FELIZ NATAL

Shirley Brunelli Crestana

5 de dezembro de 2015

MAIS UM DIA


A manhã chega sonolenta
e inclina a cabeça
no ombro do silêncio.
O solfejo dos passarinhos
em compasso binário
acaricia as horas
que cheias de ternura
hospedam a luz do sol.
Eu
 aqui sozinha
construo alicerces
 no meu mundo interior
e escrevo esses versos
para não me envenenar de preguiça.


Shirley Brunelli Crestana

28 de novembro de 2015

Voo noturno


A luz etérea do crepúsculo
sobe-me à cabeça
recrio um oceano de imagens
despertando vultos e versos
no mundo dos meus sonhos.
Serenas as horas passam
célere o céu escurece
e  como seres
predestinados a evoluir
depuremos a matéria
busquemos paz e liberdade
vem
sou tua
vamos morar
na esplêndida luz da lua.


Shirley Brunelli Crestana

21 de novembro de 2015

POR AMOR


Por você
aprendo a tocar a Quinta Sinfonia
viajo à velocidade da luz
e trago-lhe uma estrela
subo e desço mil vezes
a Escada de Jacó...
Por você
transformo-me numa fada
ou na Mulher Maravilha
e num ato supremo
 prendo o seu amor
para sempre
com cordas de luz...


Shirley Brunelli Crestana

14 de novembro de 2015

NADA SOU


Os caminhos são incertos
os dias imaturos
o tempo não existe.
Como fantoche
comandado pelo ego
caminho com passos inseguros
pelas areias movediças da vida.
Eu queria entender
o movimento instintivo dos átomos
a estrutura das estrelas
o metabolismo do Universo.
Preciso alcançar o Nirvana
mas
sem você
não tenho paz
nada sei
nada sou
nada posso.



Shirley Brunelli Crestana

7 de novembro de 2015

VERNIZ


Você me olha
e não sabe que sou
explícita mentira
mistura de conceitos
escória da verdadeira essência.
Sou guerreira
perdedora de muitas lutas
pecadora de muitas vidas.
Vivo de ângulos e intenções
momentos
flashes
vontade de ser
de cruzar todas as pontes
de ultrapassar todas as linhas.
Algum dia
meu amor
vou lhe dizer que você se ilude
quando me olha e pensa que me vê...


Shirley Brunelli Crestana

31 de outubro de 2015

DESABAFO


Viajei pelos espaços siderais
perambulei
 em várias dimensões de espaço tempo
percorri milhares de estrelas
planetas e satélites
tentei desenvolver atributos divinos
mas
ainda não consegui apagar os pecados
que me impedem de ter
 a ventura de te encontrar...


Shirley Brunelli Crestana

24 de outubro de 2015

MINÚCIAS


É noite
olho o céu
estou lunar
meditativa
falo com os astros
absorvo as sutis vibrações do universo
sinto uma energia balsamizante...
Em meio ao trabalho mental
flutuo levemente
como nuvem de algodão
e porque você vai chegar
solto os cabelos
pinto os lábios
faço-me bela
até esqueço que passei
um dia pleno de monotonia
quadriculado pela grade da janela.


Shirley Brunelli Crestana

17 de outubro de 2015

APENAS ISSO


Retalhos de sombras e de espumas
cicatrizes das lembranças...
Finco os olhos na vida
num dia incerto e insano
e vejo que sou
 apenas um barco
num mar violento
congelado de silêncio...


Shirley Brunelli Crestana

10 de outubro de 2015

BOM SERIA


Eu queria sentir tua voz macia
nos meus ouvidos enferrujados de solidão.
Nesse outubro calorento e emoldurado
pelo canto vigoroso e linear das cigarras
vejo-me atada ao chão
dessa vida primária e rudimentar...
Meu amor
sem tua presença
vagueio nas mesmices ilusórias
desse mundo físico transitório.
Eu queria...
Ah! Como eu queria
alcançar a paz profunda
para poder plasmar do universo
toda beleza
e toda poesia.


Shirley Brunelli Crestana