Eu gostaria de ser um vagalume
para piscar estrelas na escuridão
ou uma pedra com cara de chuva
para ficar fincada no chão.
O que eu queria mesmo
era ser o vento que passa
não sei o que tem dentro
nele ninguém sobe
dele ninguém desce.
Um dia dei um tiro no vento
quando se engraçou com a minha saia
e desafiou os meus cabelos...
Ah! A noite passada
para não perder a hora
dormi
com a janela aberta de bumbum pra lua.
Eu não. A janela.
Quando chegou o alvorecer
a manhã vestida de seda
fez cócegas no meu nariz
com um fiozinho de sol.
Acordei devagar como uma nuvem
tudo parecia verdade...
Hoje quero estar
predominantemente lúcida e solidária
para poder entender
o princípio de relatividade de Einstein
e todas as desventuras da humanidade...
Shirley Brunelli Crestana