Não há nenhum som na minha rua
e na luz tênue do interior da casa
os móveis ainda adormecidos não ouvem
as batidas do tempo no relógio de pêndulo.
Lá adiante na rodovia
a seiscentos metros da sonolência dos meus olhos
cresce o movimento de caminhões e carros
transportando cargas e solidão.
Abro a porta
avidamente inspiro a energia positiva do sol
e depois
caminho descalça na grama orvalhada
para receber a polaridade negativa da terra.
Isso traz alento para minha alma transviada
que hoje despertou
com gosto de canto do rouxinol na boca.
Bocejando
invento um sorriso
acendo minha lâmpada interior
vou fazer um cafezinho
pra esperar o meu amor.
Shirley Brunelli Crestana