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14 de fevereiro de 2011

BRILHO NOS OLHOS


Possuo desejos e sonhos
esmagados
pela velocidade do tempo.
Fito os teus olhos
faróis tardios e enigmáticos
que se acendem
quando falas das tuas coisas
dos teus amigos
da tua vida.
Fito os teus olhos
com olhar imprudente
e muita aspiração fora de hora.

Shirley Brunelli Crestana

11 de fevereiro de 2011

OBSTÁCULOS

Não pressentes
minha alma aflita
nem o silêncio
que me inflama os lábios...
Não brinques comigo
sei dos caminhos inóspitos
trilhados nos tempos idos.
Não venhas agora
com esse jeito sensual
enfraquecendo-me os sentidos.

Shirley Brunelli Crestana

8 de fevereiro de 2011

PASSIVIDADE

De repente
pleno de paz
o sono chega
estagnando o meu ser
inibindo os meus sentidos
apagando as imagens.
Chega devagar e cauteloso
como um ladrão
roubando tudo de mim
até a contemplação
do misterioso Universo...
 
Shirley Brunelli Crestana

5 de fevereiro de 2011

FADIGA

Sozinha
busco o impossível
tecendo fantasias
com a imaginação.
Tua susência constante
enche-me
de angústia e de cansaço.
Assim
cada vez que regressas
encontras menos de mim
a te esperar.

Shirley Brunelli Crestana

3 de fevereiro de 2011

INDECIFRÁVEL

Jogo um pouco do meu tempo
ficando inerte
no fio de alguns minutos.
A incerteza do presente
percorre a carne viva
dos meus sentidos.
Se sou o que faço
então
não sei quem sou.

Shirley Brunelli Crestana

31 de janeiro de 2011

RESTOS

Rumino palavras
quebro estruturas gramaticais
modifico frases completas
e tento escrever minhas verdades
com a haste agoniada de uma flor.
O coração bate forte
confundindo vocábulos
roubando-me a paz...
Quando a lua trilhar os espaços
restarão minhas entranhas secas
e as cinzas das minhas idéias.
 
Shirley Brunelli Crestana

28 de janeiro de 2011

MARCAS


Noite de doce silêncio
onde estará você
nessa hora de tanta ausência?
Como captar
as vibrações dos seus pensamentos
e ser alvo do seu amor?
Sem você
a saudade rasga a pele
e marca a ferro quente
o contorno emudecido
das minhas lembranças...

Shirley Brunelli Crestana

25 de janeiro de 2011

SOB DOMÍNIO

As mãos tirânicas do silêncio
me moldam com gesso e gestos
na medida dos teus desejos.
Se me deixares
nada irá me salvar da solidão
que muitas vezes
navega à deriva
dentro dos meus olhos.

Shirley Brunelli Crestana

22 de janeiro de 2011

ALQUIMIA

Num papel inteiramente branco
idéias e vocábulos se abraçam
num climax de alfazema...
Enroscam-se
misturam-se
sem saber que estão prestes
a conceber um poema...

Shirley Brunelli Crestana

20 de janeiro de 2011

FRAGMENTOS

Não posso mais querer
teu abraço e teu cheiro.
Segue teu caminho
em busca de novas paragens
enquanto guardo meus pedaços
na incógnita do amanhã.
Solta as minhas mãos
preciso reestruturar
meu espaço interior...
 
Shirley Brunelli Crestana

17 de janeiro de 2011

REALIDADE


Meus pensamentos
imprudentes
passeiam no vazio da noite.
Meu coração
rebelde e aflito
consciente de que suas esperanças
nada valem
tenta desesperadamente
se livrar de uma saudade
de uma espera
de um amor...

Shirley Brunelli Crestana

14 de janeiro de 2011

SUA AUSÊNCIA

Dormem as plantas
dormem todos.
Sou tristeza
porque voce não veio.
Para enganar-me
decomponho a noite
distribuindo estrelas
a um exército de minutos.

Shirley Brunelli Crestana

11 de janeiro de 2011

ESSE AMOR



ESSE AMOR

 
Se eu tivesse
o conformismo de uma flor
ou a frieza de um assassino
poderia
facilmente
exterminar esse inútil amor
que teima em arder no peito
num desafio às minhas forças...
É contradição
dor
defeito...
É sombra
tatuagem
não tem jeito...

Shirley Brunelli Crestana


8 de janeiro de 2011

SURPRESA



SURPRESA

Na perplexidade das horas
sua presença
e meu espanto.
É que
após tanto tempo
eis
de repente
você
verdadeiro e íntegro
à minha porta.

Shirley Brunelli Crestana

5 de janeiro de 2011

PRETENSÃO


                                                                   
 PRETENSÃO

Asas nos meus sentimentos
eu quero pôr.
É que
voando no infinito
colherei a rosa-dos-ventos
para enfeitar o nosso amor.



Shirley Brunelli Crestana

2 de janeiro de 2011

VAZIO



VAZIO

Se olho para mim
já não me vejo
perdida estou no espaço tempo
de infindáveis análises.
Rumos opostos me confundem
esvazio a mente
e simplesmente
fico estática
olhando o céu azul
coalhado de núvens brancas...


Shirley Brunelli Crestana

29 de dezembro de 2010

MARASMO





 MARASMO

      Tarde de abandono
        tarde cinzenta e perdida.
        Abano renúncias
        que cheiram a comodismo.
         Mofadas de monotonia
          as horas passam
          com asas abstratas
              tatuando desertos no coração.

Shirley Brunelli Crestana

26 de dezembro de 2010

POMAR



POMAR

Tarde clara
vento morno ondulante
visão de um beija-flor...
Timidamente
deito-me no colo da mãe-Terra
sob o pé de cajamanga
onde me contemplam
folhas verdes luminosas...
Nessa hora de paz
viajo à sombra dos tempos idos
e serena
bebo lembranças
no cálice mágico do dia...


Shirley Brunelli Crestana

21 de dezembro de 2010

MESTRE



Inigualável Mestre
meus olhos já percorreram
o infinito espaço sideral
e já passei
pelas encruzilhadas de muitas vidas...
Revesti-me de muitas formas
ao longo dessa milenar jornada
e vazias continuam minhas mãos
nada tenho para te ofertar
nesse Natal.
Ainda assim
vou te fazer um pedido
algo que afete toda a Criação...
Jesus
silencia o mundo
e coloca
no coração do ser humano
a compaixão!


 

Shirley Brunelli Crestana

CONTEMPLAÇÃO



Encaro a face pálida
dessa noite luarenta
purificando os pensamentos
com fogo imaginário e ardente.
Numa inquietação metafísica
meu ser busca respostas
e antes de qualquer descoberta
escondo-me
para que não me vejam assim
com a alma exposta
e essa ferida aberta.


Shirley Brunelli Crestana

19 de dezembro de 2010

RODEIO


Na fronteira da vida
um portal sinistro se abre
e o nosso irmão menor
indefeso e inocente se depara
com a imensidão da crueldade humana.
À sua frente está o homem
exibindo pseudo coragem
e evidente ignorância
por não saber que semeia
e aduba sua futura colheita...
É incompreensível que por ganância
criaturas se vendam
e soneguem a própria consciência...
Rodeio
tourada
vaquejada
são palavras carregadas de terror.
Diante de tanta covardia
de tanto primitivismo
meu coração angustiado
emerge de singular perplexidade...
Nessas horas importantes e abissais
eu daria minha vida
para acabar com essa maldade
e salvar os animais.


Shirley Brunelli Crestana

17 de dezembro de 2010

HORAS NOTURNAS



Sonolenta agrego
essas horas mornas
e com idéias ilógicas
distraio o silêncio
parado à porta.
De repente
entro em alfa
a razão flutua...
Lentamente oscilo
e vôo nas asas da noite
sob a luz tépida da lua...


Shirley Brunelli Crestana

15 de dezembro de 2010

NA MIRA DE UM OLHAR




NA MIRA DE UM OLHAR


Deve ser sonho
esse seu olhar despudorado
agora impresso nos meus olhos.
Esse olhar de raio X
levantando-me os véus da alma
arrancando-me dos lábios
imaturas promessas...
Ontem
diante de você e das estrelas
um sentimento ardente
silenciou-me a voz...



Shirley Brunelli Crestana

14 de dezembro de 2010

CARÊNCIAS



CARÊNCIAS


É do quebrar a taça
antes de saciar a sede
que ardo e morro.
Preciso aprender
a estancar o medo
e fugir da visão sombria
de outrora.
Penso às escuras
me confundo...
Seria válido
recomeçar agora?




Shirley Brunelli Crestana

13 de dezembro de 2010

PIRILAMPO

PIRILAMPO


Parece-me ver inocente estrelinha
pincelando o fundo da noite.
Simples fagulha
que não ilumina o mundo
nem as águas revoltas do oceano
mas enche de paz
os anseios do meu coração.
Indiferente ao meu olhar
dança pirilampo
sobe mais
e acende tua luz
no éter da madrugada...



Shirley Brunelli Crestana