a olhar-me de esguelha.
O interfone não toca
os passarinhos não cantam
o piano maduro de silêncio
anseia dedos hábeis
que saciem seus desejos ocultos.
Sobre a mesa objetos espreitam
a explícita desesperança do meu olhar.
Hoje é sábado
límpido e translúcido
contudo
sem equilíbrio ou lógica
sem ponte de travessia.
Não há indícios benéficos
no âmago desse dia.
Sou nau abandonada no cais
sem mastro sem velas
sem mapa sem rumo
nada mais...
Shirley Brunelli Crestana















